Socorram-na. Ela está chorando
por dentro. Ajudem-na. Ela está gritando. Será que ninguém vê?
Mas como alguém poderia ver o que
se oculta atrás de tão largo sorriso? Ela está sempre bem, não há como negar. Ela
está bem...Não está?
Esse segredo dela ninguém sabe,
mas desde cedo aprendeu a disfarçar muito bem. Talvez ela tenha vergonha de
demonstrar suas emoções. Talvez ela ache que nunca pode ser fraca. Ou talvez
ela nunca tenha parado para refletir sobre isso. Sempre achou que isso era ser
ela, portanto algo totalmente normal.
O fato é que neste exato momento
uma explosão de sentimentos transtorna sua mente. Ela precisa de ajuda. Mas,
quem vai entender sem rotular? Quem vai oferecer ajuda sem pressionar?
Ela sabe que não está bem. O coração
apertado, as mãos suam frio, o corpo tremendo, ideias desconexas: Medo.
- É você novamente? Mas eu não já
te mandei ir embora? Eu tinha certeza que você tinha ido. Estava tudo tão bem.
Eu estava tão feliz. Agora não. Me solta, eu não quero nada com você. Esse
momento é muito importante para mim e se você ficar aqui vai atrapalhar tudo.
Da última vez você fez um estrago tão grande. Sinto vergonha até hoje por causa
daquele dia. Sai, por favor, sai. Sai agora.
Assim ela grita em seu íntimo,
mas ninguém vê. E se ela gritar de verdade? Ah, com certeza será taxada de
louca. Mas não é exatamente assim que ela se sente? Não sente como se estivesse
enlouquecendo neste exato momento? Então, por que não gritar?
Esqueceu? Ela não pode. Tem que
ser forte.
O jeito é ela seguir em frente. O
medo está tentando paralisar sua mente, seus movimentos, mas ela vai fazendo o
que tem que fazer. Ela sabe que não está muito bom, pois ela não está no seu
melhor momento, porém ela decidiu: não parar.
O medo não saiu, mas agora ele já
não está tão forte. Talvez ele esteja ficando envergonhado porque não está recebendo
a atenção que gostaria, talvez porque não tenha conseguido o que queria:
paralisá-la.
Então ele, o medo, decide abortar
a missão.
Ela seguiu. Está muito cansada. A
algo tão simples incorporou-se um peso tão grande, mas ela continuou. Não foi
como ela esperava, embora tenha se preparado tanto não saiu como ela queria.
Mas ela conclui. Foi o melhor que ela pode fazer naquele momento. Ela se
esforçou muito, deu tudo de si. Tudo que podia fazer, ela fez, de negligência
não a poderão acusar. E ninguém sabe que ela ainda teve que fazer lutando contra
o medo...
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