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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O medo

Socorram-na. Ela está chorando por dentro. Ajudem-na. Ela está gritando. Será que ninguém vê?
Mas como alguém poderia ver o que se oculta atrás de tão largo sorriso? Ela está sempre bem, não há como negar. Ela está bem...Não está?
Esse segredo dela ninguém sabe, mas desde cedo aprendeu a disfarçar muito bem. Talvez ela tenha vergonha de demonstrar suas emoções. Talvez ela ache que nunca pode ser fraca. Ou talvez ela nunca tenha parado para refletir sobre isso. Sempre achou que isso era ser ela, portanto algo totalmente normal.
O fato é que neste exato momento uma explosão de sentimentos transtorna sua mente. Ela precisa de ajuda. Mas, quem vai entender sem rotular? Quem vai oferecer ajuda sem pressionar?
Ela sabe que não está bem. O coração apertado, as mãos suam frio, o corpo tremendo, ideias desconexas: Medo.
- É você novamente? Mas eu não já te mandei ir embora? Eu tinha certeza que você tinha ido. Estava tudo tão bem. Eu estava tão feliz. Agora não. Me solta, eu não quero nada com você. Esse momento é muito importante para mim e se você ficar aqui vai atrapalhar tudo. Da última vez você fez um estrago tão grande. Sinto vergonha até hoje por causa daquele dia. Sai, por favor, sai. Sai agora.
Assim ela grita em seu íntimo, mas ninguém vê. E se ela gritar de verdade? Ah, com certeza será taxada de louca. Mas não é exatamente assim que ela se sente? Não sente como se estivesse enlouquecendo neste exato momento? Então, por que não gritar?
Esqueceu? Ela não pode. Tem que ser forte.
O jeito é ela seguir em frente. O medo está tentando paralisar sua mente, seus movimentos, mas ela vai fazendo o que tem que fazer. Ela sabe que não está muito bom, pois ela não está no seu melhor momento, porém ela decidiu: não parar.
O medo não saiu, mas agora ele já não está tão forte. Talvez ele esteja ficando envergonhado porque não está recebendo a atenção que gostaria, talvez porque não tenha conseguido o que queria: paralisá-la.
Então ele, o medo, decide abortar a missão.

Ela seguiu. Está muito cansada. A algo tão simples incorporou-se um peso tão grande, mas ela continuou. Não foi como ela esperava, embora tenha se preparado tanto não saiu como ela queria. Mas ela conclui. Foi o melhor que ela pode fazer naquele momento. Ela se esforçou muito, deu tudo de si. Tudo que podia fazer, ela fez, de negligência não a poderão acusar. E ninguém sabe que ela ainda teve que fazer lutando contra o medo...